De acordo com o dicionário Priberam da língua portuguesa, linguagem significa a expressão do pensamento pela palavra, pela escrita ou por meio de sinais.
Segundo Borba (2008) a comunicação é algo constante. Os animais se comunicam, o homem se comunica. Cada espécie possui as suas características para essa finalidade, os animais possuem uma limitação na sua comunicação, já o homem “a comunicação atinge o seu mais alto grau de complexidade [...]” (BORBA, 2008, p. 9).
O desenvolvimento da linguagem inicia na infância. O desenvolvimento da fala da criança, de acordo com a teoria de Stern, possui três raízes, de acordo com Vygotsky (2008). A primeira se refere à tendência expressiva, a segunda à tendência social e a terceira à tendência “intencional”. Segundo o autor, a única que se refere à fala observada entre os humanos é a intencional. “Stern define intencionalidade, nesse sentido, como uma meta voltada para um determinado conteúdo ou significado” (VYGOTSKY, 2008, p. 31).
Neste sentido, o autor se refere que o humano consegue se comunicar por meio de emissão de som, em um grau determinado do seu desenvolvimento. O desenvolvimento da linguagem inicia-se ainda quando crianças.
De acordo com Zorzi (1993) a linguagem da criança se manifesta, primeiramente, por meio de atividades momentâneas aplicadas a outras pessoas. Ou seja, ela utiliza a linguagem e um objeto simbólico para chamar a atenção dos que estão à sua volta. Por sua vez, Aimard (1998, p. 41) nos diz que “a função simbólica permite que a criança adquira a linguagem, um bem comum, do qual podemos dizer que é a exploração mais elaborada das capacidades de representação da espécie humana”. O mesmo autor aponta que para que a criança adquira a linguagem oral ela tem que passar pelo desenvolvimento cognitivo, que está associado com a imitação e a representação, ao uso do simbolismo e do faz de conta.
Zorzi (1993) afirma que se percebe que a criança se desliga do simbolismo quando começa a se remeter a ações passadas, que não estão presentes naquele momento. Neste sentido, a linguagem que antes acompanhava uma ação, agora também representa essa ação.
Podemos perceber esse desenvolvimento por meio do quadro a seguir, a respeito dos referenciais motores.

A partir do quadro explicitado, podemos observar que a criança aos poucos deixa as atividades de imitação e passa a entender a ação que está sendo desenvolvida.
Quanto à fala, Airmad (1998, p. 58) nos mostra que a criança em cada ano de vida se desenvolve e se comunica da seguinte forma:
Durante o primeiro ano:
✓ riqueza na comunicação pré-verbal com o próximo (gestos, sorrisos, olhares);
✓ a partir do segundo ou terceiro mês o bebê modula a sua voz, produz diversos sons, começa a balbuciar;
✓ com oito ou dez meses aparece à duplicação das sílabas: bababa.
Durante o segundo ano:
✓ o bebê continua a adquirir os fonemas de sua língua materna;
✓ as primeiras palavras e o vocabulário são construídos;
✓ por volta dos dois anos: reunião de duas ou três palavras – “as primeiras frases”.
Durante o terceiro ano, tudo o que se iniciou continua e se enriquece muito rapidamente:
✓ a maioria dos fonemas;
✓ explosão do vocabulário;
✓ aquisição das formas gramaticais.
O próximo passo para aquisição da linguagem sistematizada, a escrita, será o tema do nosso próximo tópico.
Livro: Introdução à Linguística: objetos teóricos
Editora: Contexto
Sinopse: ao abranger os principais objetos teóricos da Ciência da Linguagem, o livro traz para os interessados na compreensão da linguagem humana um repertório que segue desde uma explicação do que é a Linguística, de como se processa a comunicação humana, até chegar a uma apresentação de seus cinco principais objetos teóricos criados nos séculos XIX e XX (langue, competência, variação, mudança e uso).

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