A alfabetização nos dias atuais ganhou contornos significativos e passaporte indispensável para a inserção na chamada sociedade do conhecimento. Essa sociedade, da qual somos todos partícipes, está assentada sobre informações e conhecimentos das mais variadas formas. Nesse sentido, somente ler e decodificar não é suficiente para atender às suas demandas e necessidades.
Em complemento, sabemos das preocupações com relação à alfabetização. Dados estatísticos nos informam que as crianças estão chegando ao final das séries iniciais sem estarem completamente alfabetizadas, ou seja, ainda não dominaram completamente a tecnologia da língua escrita. Acrescenta-se a esses dados, que preocupam a sociedade como um todo, a falta de interpretação de textos simples, o que levaria em tese a compreensão de que essas crianças não estão sendo alfabetizadas com letramento, ou seja, são impedidas de participar ativamente das práticas sociais da leitura e escrita.
Esse conjugado de preocupações nos leva a refletir sobre o papel do professor nesse processo de alfabetização. Nesse sentido, caro(a) aluno(a), para encerramos as nossas discussões acerca da alfabetização e do letramento, trazemos à mesa de discussão alguns teóricos que nos auxiliarão na compreensão da importância do professor como corresponsável no processo de alfabetizar letrando.
É preciso ter a consciência de que os professores sozinhos não conseguirão resolver todos os problemas da alfabetização, visto que outros fatores que se coadunam não podem ser desconsiderados do debate, como a participação da família nesse processo, políticas públicas e investimentos financeiros que assegurem uma educação de qualidade.
Ainda, em tempo, não temos nesse momento a preocupação de nos apropriarmos somente de um referencial teórico-metodológico para a reflexão e a compreensão do professor no processo de alfabetização, mas isso não significa que desconhecemos essas diferentes propostas e seus encaminhados pedagógicos que ora convergem e se distanciam devido às suas bases epistemológicas. No entanto, caro(a) aluno(a), as nossas preocupações, nesse momento, são os levar a refletir sobre o papel do professor como um elemento fundamental nesse processo de alfabetização e letramento das crianças.
Para inaugurar as reflexões sobre o papel da escola e do professor no processo de alfabetização convidamos, em primeiro lugar, Teberosky e Colomer (2003) que já fizeram parte dessa unidade, vamos lá?
As autoras defendem uma alfabetização da interação das crianças com os textos, nesse sentido é preciso que as crianças interajam com diversos textos escritos. Neste momento entra em cena o adulto que lê em voz alta para a criança. Por conseguinte,o papel do professor é:
[...] que as crianças “entrem” no mundo do texto, que participem da leitura, olhando as imagens enquanto o professor lê o texto, aprendendo a reproduzir as respostas verbais, imitando o escutado anteriormente, memorizando histórias, incorporando traços lingüísticos dos discursos escritos. Ao escutar a leitura as crianças aprendem que a linguagem escrita pode ser reproduzida, repetida, citada e comentada (p.127).
Para Caldas (s.d) o professor tem a responsabilidade de explorar uma diversidade de textos, a fim de aproximar os alunos da sua prática social.
Ao explorar a diversidade textual, o professor aproxima o aluno das situações originais de produção dos textos não escolares. Essa aproximação proporciona condições para que o aprendiz compreenda o funcionamento dos gêneros textuais, apropriando-se, a partir disso, de suas peculiaridades, o que facilita o domínio que deverá ter sobre eles. Além disso, o trabalho com gêneros contribui para o aprendizado de prática de leitura, de produção textual e de compreensão (p. 4).
Os Parâmetros Curriculares de Língua Portuguesa conferem importância ao uso dos diferentes textos em sala de aula, e esses têm uma finalidade que é a formação de leitores competentes. Nesse sentido, entendemos que a prática pedagógica do professor nesse processo é fundamental para que ele se efetive do ponto de vista da aprendizagem do aluno.
Formar escritores competentes, supõe, portanto, uma prática continuada de produção de textos na sala de aula, situações de produção de uma grande variedade de textos de fato e uma aproximação das condições de produção às circunstâncias nas quais se produzem esses textos. Diferentes objetivos exigem diferentes gêneros e estes, por sua vez, têm suas formas características que precisam ser aprendidas (PCN, 1997, p. 44).
O documento prevê, ainda, alguns procedimentos didáticos enquanto uma atividade continuada de produção de textos em sala de aula. Esse tratamento vai desde a oferta de textos diversificados, assim como as leituras realizadas pelo próprio professor, a fim de que esses alunos começam a produzirem seus próprios textos (PCN, 1997).
Para Frantz (2001) o professor leitor precisa ter um conhecimento da literatura infantil.
[...] o ponto de partida é sempre o professor-leitor, com um conhecimento amplo do acervo da literatura infantil disponível, que através do seu testemunho de amor pelo livro possa ajudar seu aluno a também estabelecer laços afetivos com a leitura (p.15).
A questão da formação do professor é abordada por Silva (1998). Ele lança perguntas que internamente devem ser respondidas por todos nós, professores e futuros professores, que nos possibilite uma reflexão sobre a nossa própria formação acadêmica.
O que o professor lê? Que acesso tem o professor aos livros de sua área de conhecimento? Quantas visitas faz o professor às bibliotecas, às livrarias? Quantos livros o professor tem condições de adquirir, visando o incremento do ensino e o seu crescimento como pessoa? Que tempo sobra, afinal, para a busca e a leitura de textos? E a biblioteca escolar – existe e está funcionando realmente? (p.13).
O autor toca em um ponto nevrálgico que é a própria formação do professor e suas responsabilidades enquanto agentes do processo de alfabetização. Sabemos que a sociedade atual é produtora de conhecimento como jamais visto em tempos anteriores. Isso se dá em função das próprias necessidades criadas pelo homem e da expansão da tecnologia. Nesse sentido, a produção do saber é gestada nas mais diversas formas, como a produção de artigos, dissertações de mestrado e teses de doutorado. Nesse sentido, é preciso que o professor acompanhe o desenvolvimento das produções científicas da sua área de formação inicial, visto que a sociedade do conhecimento prevê uma educação continuada.
Para justificar as afirmações acima colocadas eu sugiro um exemplo que nos auxiliará na compreensão da constante atualização profissional. Quando estamos doentes, ou um filho, um amigo ou até mesmo familiares, a nossa procura e expectativa gira em torno do atendimento por um médico que esteja atualizado na sua área específica, assim como qualificado para realizar os exames necessários e medicamentos de ponta que atuem de forma rápida para atacar o problema ou a doença, a fim de que esse não se alastre. O mesmo acontece quando precisamos de um advogado para defender os nossos direitos. As nossas preocupações giram em torno de um profissional que seja reconhecido pelas defesas que tenha realizado e os resultados obtidos na sua área específica de atuação.
Os exemplos acima mencionados indicam que temos a consciência de sempre buscar o melhor nos tratamento e cuidados da nossa saúde, assim como das questões de ordem judiciária e civil. Sendo assim, deixo uma pergunta para ser respondida internamente por você.
Um dos letramentos que possui muita importância no contexto atual é o letramento digital, exige que o cidadão domine e compreenda os gêneros multimodais. O computador criou um novo espaço de escrita que provocou não só mudanças materiais, mas também nas relações “entre escritor e leitor, entre escritor e texto, entre leitor e texto e, até mesmo, mais amplamente falando, entre o ser humano e o conhecimento”. (SOARES, 2002, p. 151). A escrita na tela possibilita a criação do Hipertexto, que é “um texto móvel, caleidoscópico, que apresenta suas facetas, gira, dobra-se e desdobra-se à vontade frente ao leitor”. (LÉVY apud SOARES, 2002, p. 150). O hipertexto é escrito e lido de forma multilinear, multisequencial, acionando links ou nós que possibilitam uma infinidade de leituras. Não existe a mesma dimensão do texto no papel, que, por sua vez, é materialmente definida. A escrita e leitura em hipertextos têm consequências sociais, cognitivas e discursivas que configuram o letramento digital, que, segundo Soares (2002), é o estado ou condição que adquirem os que se apropriam da nova tecnologia digital e exercem práticas de leitura e de escrita na tela, que é relativamente diferente das práticas de escrita e leitura no papel. Ressalta-se que o uso da internet exige dos usuários novos tipos de letramentos, pois, ao fornecer ao navegador múltiplas escolhas de trajetória, instaura e instiga novos padrões no uso da linguagem.
Fonte: Barth e Freitas (2014, p. 4).

Diante da revolução tecnológica e o acesso às produções nas mais diferentes áreas do saber, é aceitável que os professores não estejam atualizados na sua área específica de atuação, sobretudo, com relação à leitura no processo de alfabetização?

O uso da internet e de redes sociais diversas criaram novas situações comunicativas e modificaram a forma que as pessoas lidam com a linguagem. Novos gêneros textuais e discursivos passaram a existir, pois novas demandas sociais fazem-se presentes. Atualmente, há muitas possibilidades de interação e, graças a isso, surgiram, para os usuários, situações comunicativas inéditas que, por sua vez, geraram demandas de gêneros específicos para cada uma delas (XAVIER, 2006). A proliferação do hipertexto, o surgimento de redes sociais, entre outros fatores, pressionaram os usuários a usar a língua de certa forma e não mais de outra. Novos gêneros discursivos e textuais nasceram (ou se modificam) para atender à diversidade de demandas comunicativas que surgiram no novo suporte. Por exemplo, a presença de links que apontam para novos conteúdos nos textos virtuais, denominados como hipertexto. Lévy (1999, p. 33) define hipertexto como sendo um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser tanto palavras como páginas, imagens ou gráficos, bem como documentos complexos, sequências sonoras que podem ser eles mesmos hipertextos. Segundo Xavier (2006, p. 122) “a internet como um microcosmo virtual do mundo real reflete essa pluralidade de contextos comunicacionais” e, assim, oferece as condições sociotécnicas para a emergência de novos gêneros textuais e formas alternativas de utilização das convenções da escrita. Os novos gêneros, que emergem das tecnologias da informação e da comunicação criadas, misturam/hibridizam gêneros: fazem uma composição de características de certo gênero com a possibilidade técnica de efetivar uma determinada ação antes impossível. Um possível exemplo dessa relação de proximidade e transformação/adaptação de gêneros é a carta e o e-mail, o chat e a conversa, os blogs e diários.
Fonte: Barth e Freitas (2015, p. 14).

Em síntese, as tecnologias atuais nos permitem ter acesso às produções científicas sem a necessidade de nos deslocarmos fisicamente. Um exemplo desse acesso é a sua própria formação inicial que se dá por meio das tecnologias. Pense sobre isso, está bem?
Sinopse: proprietária de uma pequena livraria, Kathleen (Meg Ryan) [...]. De repente, a vida dela é abalada com a chegada de uma enorme livraria, que pode acabar com um negócio que é da sua família há 42 anos [...].
A minha indicação para esse filme está baseada no amor que a personagem vivida por (Meg Ryan) nutre à sua pequena livraria que ela herdou da mãe. A personagem é uma profunda conhecedora das histórias infantil e faz leitura, em voz alta, para as crianças. Essa pequena livraria deixar de existir em função da abertura de uma Megastore próxima à sua livraria.

Caro(a) aluno(a)! É chegado o momento de concluirmos a nossa terceira unidade. Consideramos esse momento como uma conclusão abstrata e momentânea, haja vista que as nossas discussões e reflexões não se encerram com as páginas escritas até aqui, mas deverão ser ampliadas por você, durante todo o seu processo de formação.
Os nossos esforços versaram sobre a importância de um olhar retrospectivo da história no que diz respeito aos métodos. Esse olhar deve ser pautado respeitando os nossos limites de olhar contemporâneo. Sendo assim, revisitar a história é sempre uma oportunidade de verificar os feitos dos homens que estavam subjugados a um processo mais abrangente e que transcende os muros escolares e a alfabetização não fica à margem desse processo.
Acreditamos, ainda, que o nosso propósito inicial foi cumprido na medida em que trouxemos para a nossa discussão autores significativos e documentos que contribuem e reforçam as preocupações com a alfabetização e que os seus desdobramentos não devem ser pensados apenas no âmbito da decodificação do código linguístico, mas, sobretudo, para uma alfabetização que leve o aluno a uma participação efetiva nas suas práticas sociais cotidianas. Em outras palavras, a instituição escolar na sociedade atual, assim como os professores, têm a sua parcela de colaboração e de corresponsabilidade no desencadeamento no processo de alfabetizar letrando.
Como última sugestão, gostaria que você, caro(a) aluno(a), não encerrasse as discussões aqui iniciadas sobre a alfabetização. Por isso, é preciso um olhar atento para as reformas educacionais, assim como acompanhar os dados sobre a alfabetização. Essa atitude nos possibilita um reforço teórico para as reflexões acerca da alfabetização com todos os seus limites e possibilidades.
Fique com um abraço carinhoso!
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