De acordo com a perspectiva construtivista e no que diz respeito à elaboração do conhecimento da escrita, as crianças a aprendem da mesma maneira que aprendem outros aspectos relacionados ao mundo, ou seja, sempre constroem hipóteses. “[...] Mas devemos lembrar que essas hipóteses são influenciadas pela qualidade do material sobre o qual são formuladas” (TEBEROSKY; COLOMER, 2003, p. 103).
É preciso considerar na perspectiva construtivista que o ambiente material, assim como o ambiente social, está relacionado com a possibilidade do desenvolvimento da aprendizagem.
O termo possibilidade se justifica, quando consideramos que são as hipóteses que as crianças constroem que as levam ao conhecimento, sendo assim o ambiente material e social está subordinado e, em última instância, esses ambientes não são significativos. Essa afirmação se justifica, pois “[...] um mesmo material do ambiente não é interpretado da mesma maneira por duas crianças diferentes, nem por uma mesma criança em dois momentos diferentes de seu desenvolvimento” (TEBEROSKY; COLOMER, 2003, p. 103).
Mas, então, quais seriam as características de um ambiente adequado e rico dentro da sala de aula, segundo a perspectiva construtivista?
Esse ambiente deve ter quantidade suficiente de material, onde a criança possa aprender a ler e a escrever, assim como devem ser relevantes e adequados para as crianças. De acordo com Teberosky e Colomer (2003) os portadores de texto são materiais que devem fazer parte do ambiente material e social. Com relação a esses portadores de texto, as autoras os classificam como portadores da vida cotidiana ou do espaço urbano, e portadores de textos do espaço doméstico.
Os portadores de texto da vida cotidiana ou do espaço urbano são, por exemplo, as embalagens domésticas que são encontradas nos supermercados, pois essas se constituem em um recurso para gerar atividades de leitura e escrita, assim como os pôsteres, cartazes, painéis, textos comemorativos, folhetos, etc. Com relação aos portadores de textos domésticos, esses podem ser classificados em: rótulos, marcas feitas sobre as embalagens, as latas, o vidro, o plástico, os cartazes da Coca-Cola, McDonalds, Nestlé, Parmalat, etc.
E, por último, existem ainda os escritos das máquinas e dos computadores. Muitas dessas máquinas estão presentes no ambiente das crianças e trazem consigo modos de uso, que ordenam, em sequência, as ações que devem ser realizados pelos usuários. Um exemplo seria o telefone público, as máquinas de vender bilhetes no metrô, os caixas eletrônicos, os celulares, o controle remoto, etc. No entanto, sabemos que esses portadores de texto, em muitos casos, não são utilizados pelas crianças, visto que para fazer uso deles é preciso ter o domínio da língua escrita.
Os parâmetros curriculares definem que é papel da escola e dos professores proverem condições materiais e organização do espaço físico como um atrativo para o aluno, e gosto de frequentar o espaço destinado à leitura e à alfabetização.
O papel da escola (e principalmente do professor) é fundamental, [...] para a organização de critérios de seleção de material impresso de qualidade e para a orientação dos alunos, [...],a aprendizagem de procedimentos de utilização de bibliotecas [...] seleção de textos adequados às suas necessidades [...] e a constituição de atitudes de cuidado e conservação do material disponível para consulta. [...] a organização do espaço físico — iluminação, estantes e disposição dos livros, [...] deve garantir que todos os alunos tenham acesso ao material disponível [...] deve possibilitar ao aluno o gosto por freqüentar aquele espaço e, dessa forma, o gosto pela leitura. O emprego de recursos audiovisuais pode ser de grande utilidade na realização de diversas atividades [...] slides, cartazes, fotografias [...] o gravador e o vídeo merecem destaque: além de possibilitarem o acesso a textos que combinam sistemas verbais e não-verbais de comunicação [...] (BRASIL, 1997, p. 57).
Não podemos desconsiderar, ainda, outros tipos de linguagem escrita, como os jornais, os gibis, as revistas, os dicionários, os atlas. É preciso, ainda, ter um cuidado especial quanto à localização e disponibilidade do material em sala de aula, para que esses estejam ao alcance das crianças para que possam manipulá-los. O fator qualidade do material ofertado à criança deve ser de qualidade, com clareza das ilustrações. Com relação ao tempo de exposição do material, esse deve estar relacionado com as atividades da sala de aula, em outras palavras, a permanência ou a sucessão desses materiais devem estar de acordo com a duração das atividades.
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