Segundo os princípios do modelo construtivista, o âmbito e o contexto da aprendizagem na sala de aula devem permitir que as crianças possam interagir com os materiais da classe (TEBEROSKY; COLOMER, 2003, p. 23).
Olá, caro(a) aluno(a)! Você sabe o que é construtivismo e qual o significado dessa expressão? Seria uma teoria ou um método? Atentemo-nos para a explicação a seguir.
Construtivismo significa isto: a idéia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do indivíduo com o meio físico e social, [...] com o mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação prévia, na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e, muito menos, pensamento.
Construtivismo é, portanto, uma ideia (grifo nosso); [...], um modo de ser do conhecimento ou um movimento do pensamento que emerge do avanço das ciências e da Filosofia dos últimos séculos. Uma teoria que nos permite interpretar o mundo em que vivemos. [...] (BECKER, s.d., p. 88-89).
Com as primeiras informações do professor Fernando Becker, podemos inferir que o construtivismo é uma ideia, e enquanto ideia o conhecimento terá que ser construído pela interação do sujeito com o mundo físico e social, mas, sobretudo, pela sua própria ação no mundo. Mas o construtivismo é um método ou uma teoria?
[...] Construtivismo não é uma prática ou um método; não é uma técnica de ensino nem uma forma de aprendizagem; não é um projeto escolar; é, sim, uma teoria que permite (re)interpretar todas essas coisas (grifo nosso), jogando-nos para dentro do movimento da História – da Humanidade e do Universo. Não se pode esquecer que, em PIAGET, aprendizagem só tem sentido na medida em que coincide com o processo de desenvolvimento do conhecimento, com o movimento das estruturas da consciência. Por isso, se parece esquisito dizer que um método é construtivista (grifo nosso), dizer que um currículo é construtivista parece mais ainda (BECKER, s.d., p. 2).
Ainda, subsidiados por Becker, podemos afirmar que o construtivismo é uma teoria que permite interpretar a forma de aprendizagem e o processo de desenvolvimento do conhecimento.
Considerando, ainda, que o processo de ensinar é, também, um processo de aprendizagem, as autoras Teberosky e Colomer (2003) apresentam cinco princípios do modelo construtivista para ensinar a ler e escrever.
- O primeiro princípio construtivista é teórico. Consiste em orientar as estratégias de ensino em função da convicção dos professores de que seus alunos não partem do zero, e sim, de que têm conhecimentos prévios construídos, a partir dos quais se devem criar pontes para as novas aprendizagens.
- O segundo princípio consiste em propor problemas e tarefas relativamente exigentes e para as quais os alunos ainda não têm respostas. Eles vão construindo as respostas durante o processo de aprendizagem, em função das situações-problema a resolver.
- O terceiro princípio consiste em oferecer ajuda ao aluno sobre como proceder. É importante levar sempre em consideração o ponto de vista do aprendiz e facilitar sua expressão através de perguntas que lhe permitam refletir.
- O quarto princípio orienta a promoção de atividades conjunta entre os alunos, em dupla ou em pequenos grupos que facilitem o intercâmbio e a discussão entre os companheiros, para que aprendam uns com os outros.
- Um quinto princípio apresenta o professor como modelo de interpretação e de produção de escrita, que transforma o escrito em objeto simbólico e explora toda a sua riqueza cultural [...] (TEBEROSKY; COLOMER, 2003, p. 81).
Em síntese, os cinco princípios do método construtivista devem levar em conta que a criança ao chegar à escola já possui um conhecimento prévio, isso porque o mundo está repleto de informações. Ainda que a criança não tenha acesso a todas as informações, essas provavelmente influenciam na aprendizagem posterior. “[...] Os escritos domésticos das ruas, os logotipos de propaganda, etc., não são dirigidos às crianças, mas também são importantes na aprendizagem da leitura e da escrita” (TEBEROSKY; COLOMER, 2003, p. 21).
Acrescenta-se, ainda, a importância do trabalho em dupla, o que significa, em última instância, que são as crianças em contato direto com o confronto, com o conflito com problemas que a desafiem que se apropriarão do conhecimento, ou seja, é a própria criança que agirá e atuará sobre o objeto a ser conhecido, mas sempre em contato com outras crianças.
Além dos cinco princípios do modelo construtivista para ensinar a ler e escrever, é preciso levar em conta os postulados referentes ao ambiente material. Como seria, então, esse ambiente material e social? De que forma ele seria estruturado? É o que vamos comentar a seguir.
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