Desde o seu nascimento a criança está submersa em um mundo onde a linguagem é essencial para a sua sobrevivência. A criança se depara com uma infinidade de estímulos, dentre eles o estímulo oral. Para que a criança se aproprie da linguagem humana precisa ter contato com ela, mediante a interação com outras pessoas.
Os adultos que rodeiam as crianças possuem papel fundamental no processo de aquisição da linguagem, pois são estes que fazem uso das funções da escrita, da gramática, do vocabulário e dos sons. Desta forma, os adultos serão a influência para que a criança faça a aquisição.
Para Cagliari (2009) a comunicação é a finalidade da oralidade. Ela se dá por meio da forma mais viável para o contexto em que está inserida. Cabe à escola, segundo o Programa pró-letramento do Ministério da Educação (2008, p. 53):
Formar cidadãos aptos a participar plenamente da sociedade em que vivem começa por facultar-lhes a participação na sala de aula desde seus primeiros dias na escola. Mas inclui, além disso, contribuir para que eles possam adquirir e desenvolver formas de participação consideradas adequadas para os espaços sociais públicos. A sala de aula é um espaço público, de uma instituição pública, que tem seu modo peculiar de se organizar. Entre as regras de convivência dessa instituição estão as que se referem à participação nas interações orais em sala de aula. Outras instituições sociais também têm suas regras de convivência e de participação nas interações orais: na igreja, na cooperativa, no sindicato, na empresa, na fábrica, no escritório, não se fala de qualquer jeito nem na hora que se bem entende, sem esperar a própria vez, sem respeitar a fala do outro. Por isso é importante desenvolver a capacidade de interagir verbalmente segundo as regras de convivência dos diferentes ambientes e instituições.
Desta forma, o professor deverá oportunizar a estes alunos momentos de desenvolvimento da oralidade. Devendo também cuidar da sua linguagem, pois os alunos o tomarão como influência.
A leitura é uma prática social, pois tanto autor como leitor possuem marcas da sua naturalidade e de sua individualidade. Segundo os Parâmetros curriculares Nacionais:
A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto, a partir dos seus objetivos, do seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a língua: características do gênero, do portador, do sistema de escrita (PCN, 2000, p. 42).
Diante disso, podemos afirmar que a leitura é mais que uma mera decodificação dos códigos linguísticos para que o leitor consiga fazer a interpretação, pois a leitura é uma atividade cognitiva que envolve os processos de indução, memória, inferência e percepção.
De acordo com Possenti (2006) a criança aprende quando há significação, ou seja, quando o que está sendo ensinado possui uso cotidiano, havendo assim “prática significativa”. O autor ainda afirma que na prática do ensino da linguagem que ocorre fora da escola, nos primeiros anos de vida, ocorrem inferências do adulto, de modo a corrigir a forma inadequada na qual a criança está se expressando, e que essa prática deve ser adotada em sala de aula.
A escrita não é um conhecimento inato, desta forma, ela se dá a partir dos conhecimentos adquiridos a partir de análises e interpretações realizadas.
De acordo com o Programa pró-letramento do Ministério da Educação (2008) as crianças chegam à escola sem saber escrever e para que escrever. O estudo ainda aponta:
Em nossa sociedade, escreve-se para registrar e preservar informações e conhecimentos, para documentar compromissos, para divulgar conhecimentos e informações, para partilhar sentimentos, emoções, vivências, para organizar rotinas coletivas e particulares. Essas funções da escrita se realizam por meio de diferentes formas – os diversos gêneros textuais –, que circulam em diferentes grupos e ambientes sociais, em diferentes suportes (ou portadores de texto). Acredita-se que um processo eficiente de ensino-aprendizagem da escrita deve tomar como ponto de partida e como eixo organizador a compreensão de que cada tipo de situação social demanda um uso da escrita relativamente padronizado. Essa relativa padronização, nascida dos usos e funções sociais, é que justifica o empenho da escola em ensinar e o empenho do aluno para aprender as convenções gráficas, a ortografia, a chamada “língua culta”. Isso pode ser feito na sala de aula desde os primeiros dias do Ensino Fundamental (PRÓ-LETRAMENTO, 2008, p. 48).
Diante disso, podemos afirmar que o professor possui um papel significativo neste processo, pois é ele quem acompanhará o aluno. Podemos concluir também que para que o aluno se aproprie do processo de escrita ele tem que dominar a linguagem oral.
Sobre este tema Guimarães (2011) traz uma tabela destacando as principais diferenças entre a oralidade e a escrita, sendo elas:
Quadro 1 - Diferenças entre Oralidade e Escrita
Fonte: Guimarães (2011, p. 49).
No tópico a seguir iremos abordar como a criança inicia o processo de escrita.
Livro: Alfabetização e leitura
Editora: Cortez
Sinopse: Este livro traz a discussão de questões e temas fundamentais envolvidos na aprendizagem da leitura, que deverão ser aprofundados, discutidos e reconstruídos pelo professor e seus alunos, com o auxílio da bibliografia, das leituras recomendadas e das atividades sugeridas ao final de cada capítulo, entre elas o estágio supervisionado. Uma obra útil a todos os educadores que se preocupam com a alfabetização.

A criança escolarizada aprende a ler paralelamente à sua aprendizagem da decifração e não graças a ela: ler o sentido e decifrar as letras corresponde a duas atividades diversas, mesmo que se cruzem. Noutras palavras, somente uma memória cultural adquirida de ouvido, por tradição oral, permite e enriquece aos poucos as estratégias de interrogação semântica cujas expectativas a decifração de um texto afina, precisa, corrige. Desde a leitura da criança até a do cientista, ela é precedida e possibilitada pela comunicação oral, inumerável “autoridade” que os textos não citam quase nunca (CERTEAU, 1994, p. 263-264).

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