Avaliar, ser avaliado, são ações que estão intrinsecamente ligadas ao nosso cotidiano, na escola, no trabalho, em casa ou em qualquer outra atividade realizada. Mas será que o que fazemos são realmente avaliações? Ou são meramente reflexões e/ou análises? Para tanto é necessário pensar no conceito/significação de avaliação, de avaliar.
Segundo o Mini Aurélio (2010, p. 82) avaliação significa “Ato ou efeito de avaliar. Valor determinado pelos avaliadores”. A avaliação, segundo o dicionário, é vista como um ato em que um objeto e/ou ato será visto de uma perspectiva de aferição para cálculo de juízo de valor.
Podemos ainda complementar esse significado com o conceito de avaliação adotado por Luckesi (2005, p. 33) no qual estipula que a “avaliação é um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade, tendo em vista uma tomada de decisão, a partir de um critério estabelecido”.
Ou seja, ao avaliarmos um aluno, uma atividade ou uma prova aplicada, atribuímos um devido valor, nós, educadores, decidimos qual valor o aluno deverá ter e não tomamos a avaliação como método de verificação da aquisição do objetivo proposto. No entanto, cabe dizer que não há um critério pré-estabelecido que seja utilizado por todos os docentes para avaliar seus alunos, cada docente tem o seu.
Perrenoud (1999, p. 10) afirma que “a avaliação regula o trabalho, as atividades, as relações de autoridade e a cooperação em aula e, de certa forma, as relações entre a família e a escola ou entre profissionais da educação”. Ou seja, para o autor “nossos alunos são comparados e depois classificados em virtude de uma norma de excelência, definida no absoluto ou encarnada pelo professor e pelos melhores alunos” (p. 11).
Perrenoud (1999) nos traz um conceito de avaliação característico do método tradicional de ensino, em que a avaliação era utilizada como ferramenta de punição, medida de conhecimento, classificação e seleção dos alunos para a aprovação, e como pré-requisito para entrada na faculdade ou no mercado de trabalho, restando aos não classificados a reprovação e os empregos menos remunerados.
Rabelo (2003, p. 11) diz em sua obra sobre avaliação, que o ato de avaliação não é dispensável para a atividade humana, ou para qualquer atividade educacional, e completa:
A avaliação é inerente e imprescindível, durante todo processo educativo que se realize em constante trabalho de ação-reflexão-ação, porque “educar é fazer ato de sujeito, é problematizar o mundo em que vivemos para superar as contradições, comprometendo-se com esse mundo para recriá-lo constantemente”.
Rabelo (2003) nos traz uma concepção de avaliação inerente ao método construtivista de ensino, quando nos diz que a avaliação é indispensável durante o processo de “ação-reflexão-ação”, ou seja, a avaliação deve acontecer durante o processo de ensino-aprendizagem, para que o aluno possa participar da construção do seu conhecimento.
Barlow (2006, p. 16) tem uma visão um tanto diferenciada do conceito de avaliação apresentado até então:
Como eco em retorno da ação, estímulo a completar, a modificar, a aperfeiçoar a tarefa em andamento, a avaliação se revela mais claramente em sua função. Cabe agora indagar sobre sua natureza: depois de perguntar o que avaliar quer fazer, tentamos descobrir o que avaliar quer dizer.
Podemos simplificar as palavras de Barlow (2006) utilizando a dimensão pedagógica de avaliação apresentada pela Professora Neusi Aparecida Navas Barbel (2001, p. 21) que nos diz que:
A dimensão pedagógica da avaliação é entendida aqui como aquela implicada diretamente com o processo de ensino e de aprendizagem, em suas características de intencionalidade consciente e sistematização. Compreende-se que o trabalho do professor com seus alunos passa, necessariamente, por uma organização que inclui objetivos a atingir, conteúdos a trabalhar, uma metodologia para desenvolver esse trabalho e um processo de avaliação de resultados.
Entre a discussão do que é real e o que é ideal à prática pedagógica em avaliação, Luckesi (2005, p. 33) nos traz um conceito real a respeito da avaliação, no qual estipula que a “avaliação é um julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade, tendo em vista uma tomada de decisão a partir de um critério”.
Luckesi (2005), em sua obra intitulada “Avaliação sobre a aprendizagem escolar”, discute a avaliação sob vários olhares, tomando como ponto de partida sempre seu conceito sobre ela. Em seu capítulo I apresenta um conjunto de observações sobre a avaliação sob as visões:
Mais importante do que ser uma oportunidade de aprendizagem significativa, a avaliação tem sido uma oportunidade de prova de resistência do aluno aos ataques do professor. As notas são operadas como se nada tivesse a ver com a aprendizagem. As médias são médias entre números e não expressões de aprendizagens bem ou malsucedidas.
produz não só uma personalidade submissa como também hábitos de comportamento físico tenso que conduzem às doenças respiratórias, gástricas, sexuais, etc., em função dos diversos tipos de stresses permanentes.
A função verdadeira da avaliação da aprendizagem seria auxiliar a construção da aprendizagem satisfatória: porém, como ela está centralizada nas provas e exames, secundarizadas o significado do ensino e da aprendizagem como atividades significativas a si mesmas e superestima os exames. Ou seja, pedagogicamente, a avaliação da aprendizagem, na medida em que se estiver polarizada pelos exames, não cumprirá a sua função de subsidiar a decisão da melhoria da aprendizagem.
Além do olhar que temos sobre avaliação, basicamente temos segundo Haydt (2002, p. 16) três funções, sendo elas:
Estas funções podem ser vistas claramente no quadro a seguir. Haydt (2002) nos mostra de uma forma simples e clara, as funções e os propósitos das três modalidades de avaliação apresentados.
Quadro 2 - Modalidades e funções da avaliação
Fonte: Haydt (2002, p. 19).
Estas funções serão discutidas nos tópicos a seguir.
A avaliação diagnóstica, segundo Haydt (2002, p. 16), “é aquela realizada no início do curso, período letivo ou unidade de ensino”, ou seja, é um levantamento dos conhecimentos dos alunos, dos conhecimentos já adquiridos. Sobre ela podemos acrescentar que:
[...] com a intenção de constatar se os alunos apresentam ou não o domínio dos pré-requisitos necessários, isto é, se possuem os conhecimentos e habilidades imprescindíveis para as novas aprendizagens. É também utilizada para caracterizar eventuais problemas de aprendizagens identificar suas possíveis causas, numa tentativa de saná-los (HAYDT, 2002, p. 17).
Segundo o Mini Aurélio (2010, p. 252) diagnosticar significa “fazer o diagnóstico de”. Diante da definição de Haydt (2002) e do minidicionário, podemos afirmar que diagnosticar o aluno é fazer um levantamento por meio dos sinais indicativos, se ele aprendeu o conteúdo ou não. Ou seja, iremos apenas fazer um levantamento destes dados, para saber se ele sabe ou não um determinado conteúdo.
A avaliação somativa para Haydt (2002, p. 18) “tem a função classificatória”, ou seja, é realizado no fim do período ou ano letivo com o intuito de observar se os alunos atingiram os objetivos propostos, tem a função de promover ou não, o aluno para a próxima etapa escolar. Segundo o Mini Aurélio (2010, p. 709) somar significa “fazer a soma de. Apresentar como soma. Reunir. Juntar. Adicionar”.
Nesta perspectiva, para Luckesi (2005) o aluno poderá ser classificado como inferior, médio ou superior, podendo ainda esta classificação ser transformada em números.
Segundo Luckesi (2005, p. 35):
Com a função classificatória, a avaliação constitui-se num instrumento estático e frenador do processo de crescimento; com a função diagnóstica, ao contrário, ela constitui-se num momento dialético do processo de avançar no desenvolvimento da ação, do crescimento para a autonomia, do crescimento para a competência etc. Como diagnóstica, ela será um momento dialético de “senso” do estágio em que se está e de sua distância em relação à perspectiva em que se está colocada como ponto a ser atingido à frente. A função classificatória subtrai da prática da avaliação aquilo que lhe é constitutivo: a obrigatoriedade da tomada de decisão quanto à ação, quanto ela está avaliando uma ação.
Podemos perceber que a avaliação classificatória tem uma maior pretensão à obtenção de médias, notas, tanto para a aprovação quanto para a reprovação.
A avaliação formativa, segundo Haydt (2002, p.17), “tem a função de controle”, é utilizada no decorrer do ano letivo para verificar se os objetivos estão sendo alcançados.
[...] a avaliação formativa visa, fundamentalmente, “determinar se o aluno domina gradativa e hierarquicamente cada etapa da instrução”, porque “antes de prosseguir para uma etapa subsequente do ensino-aprendizagem, os objetivos em questão, de uma ou de outra forma, devem ter seu alcance assegurado” (HAYDT, 2002, p. 21).
Neste sentido, é por meio da avaliação formativa, segundo o autor, que o aluno percebe seus erros e acertos e aprende com eles. O autor considera este tipo de avaliação orientadora, pois tem a função de orientar o trabalho do professor e o aprendizado do aluno, tirando o foco das fontes e causas do stress que permeiam a avaliação.
Haydt (2002) liga ainda a avaliação formativa ao sistema de feedback que possibilita ao professor ajustar a metodologia, ou seja, rever o seu sistema de mediar o conhecimento ao aluno, quando este se torna ineficiente a avaliação segundo o autor deve servir como controle de qualidade do ensino.
Caro(a) aluno(a),
A seguir seguem alguns excertos da reportagem publicada no jornal on-line “O Estadão”, que aborda a criação da Avaliação Nacional da Alfabetização.
MEC cria Avaliação Nacional da Alfabetização
RAFAEL MORAES MOURA - Agência Estado
O Ministério da Educação (MEC) formalizou, nesta segunda-feira, a criação da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), que deverá conferir, a partir de 2013, a qualidade e a eficiência do ciclo de propagação da instrução primária (do 1.º ao 3.º ano do ensino fundamental) das escolas públicas. A portaria com a inclusão da ANA no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) foi publicada no "Diário Oficial" da União (DOU) desta segunda-feira.
A prova estava prevista no Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, publicado em julho, que falava numa "avaliação externa universal do nível de alfabetização ao final do 3º ano do ensino fundamental, aplicada pelo Inep". Segundo a reportagem apurou, a avaliação será feita a partir deste ano, com estudantes de escolas públicas que estiverem concluindo o 3.º ano do ensino fundamental. Uma nova portaria, regulamentando a ANA, deverá ser publicada pelo Inep nas próximas semanas. Por enquanto, não foram divulgadas previsões de gastos.
A criação de uma prova nacional para medir o grau de alfabetização de crianças foi antecipada pelo próprio ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em março. Na época, Mercadante afirmou que o novo exame seria uma ampliação da Provinha Brasil, que avalia o estágio de alfabetização e de conhecimentos básicos de matemática de estudantes do 2.º ano do ensino fundamental. "A Provinha Brasil é ''amostral''. Nós faremos um exame nacional para ver a qualidade do letramento", disse na ocasião.
Para ler a notícia na íntegra, acesse: <www.estadao.com.br>. Acesso em: 11 jun. 2013.

Livro: Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e preposições
Editora: Cortez
Autor: Cipriano Luckesi
Sinopse: este livro destina-se a educadores, assim como a alunos dos cursos de Pedagogia e Licenciaturas. Nele são apresentados estudos sobre avaliação da aprendizagem escolar, bem como proposições para torná-la viável e construtiva.

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